A dramaturgia de Pantanal nasceu de um exercício em aula que tinha como pressuposto a transmutação de sujeito, tornando-se uma antropormofização. Pois se trata de seres e não de pessoas, e a performatização do suporte da escritura fazendo uso de tipografias para diferenciar emissores, ausentes de seus nomes, ampliando as possibilidades de intervenção nos demais artistas.
O mote para esta habitação foi uma experiência, em um dia de chuva, que vivi no bairro, de mesmo nome do projeto. A comunidade estava completamente tomada pela enchente. Diante desta situação impotente não me restava outra alternativa a não ser violentar poeticamente, algumas de suas causas através de pontos de vistas destes modos de subjetivação. Esta opção veio para tentar dar conta de um olhar de quem se encontra dentro, que é o caso dos 90% da equipe/bang.
O projeto teve como principio estético a exploração da sonoridade no espetáculo. Expandindo as múltiplas possibilidades que a voz humana e a tecnológica pode oferecer. Utilizando o Slam, gênero da musica declamada que combina a idéia dos sons com o trato cuidadoso da língua, como norteador da pesquisa. E para tal, trouxemos a Roberta Estrela D’Alva que, em primeira mão, nos apresentou esta modalidade ainda pouco difundida no Brasil: a fusão do spoken word com o teatro.
Emerson Alcalde
DRAMATURGO