Eu sou de lá, terra que tem dia certo para se encharcar, terra que tem dia certo para mover todos de um lugar para o outro, para cima, para o alto, para casa do vizinho. Terra de promessas não cumpridas, terra acostumada, terra de rir, de chorar, de brincar de ser água, lama, fossa por alguns meses. Eu sou de lá... Mais que de deus, do homem, esta terra é minha, é sua, é de todos nós. É de ninguém quando convém. É aqui, é lá, é em tantos que nem sei... É dentro de mim... É fora de todos... É em tantos que nem sei... Queria entrar nas torneiras do céu e da terra para descobrir os caminhos. Andar em seus túneis e gritar. Ouvir a palavra como eco da voz. Chamar alguém que mora lá. Ouvir quem sabe dizer com a alma. Acender a luz e percorrer seus labirintos. Mergulhar fundo e descobrir de onde a água vem. Conhecer seus rostos suas faces, seu mau cheiro, sua pureza... Queria saber que gosto, ela tem. Que cores ela tem. Que sons ela tem. Que segredos ela tem. Que dores, ela tem. Que imagens, ela tem. Com receio... Andei pelo corredor estreito e cumprido e com a mão direita apenas toquei na torneira... Fechada. Silenciosa. Protetora. Reservada... E como resposta ao meu toque ela me deu uma gota de água poderosa para criar um mundo e dissolver a noite.
Anderson Maurício
DIRETOR
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